The Princess
— Eu me chamo Antônio.

“Ela trouxe palavras bonitas e alguns cigarros. Trouxe também aquele sorriso de canto e contou algumas histórias engraçadas. Rimos tanto, tanto, tanto, entretanto ela pediu para que eu esboçasse um gesto de entendimento: eu não conseguia entender uma palavra sequer. Ela então apagou seu último cigarro com a naturalidade de quem está acostumada a enterrar os primeiros amores. Rasgou os meus contos ainda não escritos e escreveu no espelho, com a delicadeza de uma mão trêmula, “eu te amo tanto que prefiro não te estragar. Adeus”. Depois de rir e vir tantas vezes pelo meu mundo, desapareceu levando os silêncios, as cinzas, os contos e esse coração aprendiz que, de tanto esperar, desaprendeu a ter paciência.”

— Sean Wilhelm.

“Esse é o lado ruim de escrever, as pessoas irão te ver como alguém que as pode entender, e muitas vezes, você não irá querer dizer nada além do que está escrito. Eu costumo ser intolerante com quem tenta descarregar o fardo sobre mim. As mesmas histórias me cansam, e as pessoas raramente me acrescentam algo novo. É o mesmo pensamento ilhado sobre o que fazer com o lixo. Devem ter esquecido como se reciclar, não aprendem nunca a transformar seus corações de lata em algo que não polua o mundo. Tenho vontade de gritar nos ouvidos que sou apenas uma pessoa comum em um apartamento bagunçado, que se arrasta sobre os próprios medos. É duro ter que aceitar que a maior parte das pessoas que irão cruzar nossas vidas, serão totalmente previsíveis. Gosto de quem me faz gostar, surpreendendo do jeito que é. Existem aqueles que são como uma tocha que se acende no momento certo, iluminando as nossas vidas e aquecendo as nossas almas. Já outros, inflamam a qualquer momento, tentando se mostrar úteis, e nem percebem que estão fazendo do mundo o seu cinzeiro.”

— Caio Fernando Abreu

“Eu te amei muito. Nunca disse, como você também não disse, mas acho que você soube. Pena que as grandes e as cucas confusas não saibam amar. Pena também que a gente se envergonhe de dizer, a gente não devia ter vergonha do que é bonito. Penso sempre que um dia a gente vai se encontrar de novo, e que então tudo vai ser mais claro, que não vai mais haver medo nem coisas falsas. Há uma porção de coisas minhas que você não sabe, e que precisaria saber para compreender todas as vezes que fugi de você e voltei e tornei a fugir. São coisas difíceis de serem contadas, mais difíceis talvez de serem compreendidas — se um dia a gente se encontrar de novo, em amor, eu direi delas, caso contrário não será preciso. Essas coisas não pedem resposta nem ressonância alguma em você: eu só queria que você soubesse do muito amor e ternura que eu tinha — e tenho — pra você. Acho que é bom a gente saber que existe desse jeito em alguém, como você existe em mim.”

— Caio Fernando Abreu.

“Ela fala com o coração e sabe que o amor, não é qualquer um que consegue ter. Ela é a sensibilidade de alguém que não entende o que veio fazer nessa vida, mas vive.”

— Verônica Heiss

“Eu aceito que pessoas sejam apenas passageiras na minha vida, desde que elas não insistam em ser mais do que isso. Não posso ter o trabalho de me apegar e me despedir, porque também não sou mais do que mera alma a caminho de qualquer outro lugar. Não posso ser bagagem de ninguém.”

— Longe do Meu Anjo.

“Eu não preciso dizer que te amo todos os dias pra te provar que o meu amor é teu, meu coração é teu e que só você faz meus dias mais felizes. E não importa o que aconteça em nossas vidas agora ou daqui a 30 anos, o que eu sinto por ti permanecerá pra vida toda.”

— Clarice Lispector.

“Cadê eu? perguntava-me. E quem respondia era uma estranha que me dizia fria e categoricamente: tu és tu mesma. Aos poucos, à medida que deixei de me procurar fiquei distraída e sem intenção alguma. Eu sou hábil em formar teoria. Eu, que empiricamente vivo. Eu dialogo comigo mesma: exponho e me pergunto sobre o que foi exposto, eu exponho e contesto, faço perguntas a uma audiência invisível e esta me anima com as respostas a prosseguir. Quando eu me olho de fora para dentro eu sou uma casca de árvore e não a árvore. Eu não sentia prazer. Depois que eu recuperei meu contato comigo é que me fecundei e o resultado foi o nascimento alvoroçado de um prazer todo diferente do que chamam prazer.”

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